sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sexta-feira aleatória: Minha fama de “reclamona”

Aqui em casa eu tenho fama de reclamona. Reclamo porque está muito calor. Reclamo porque o trânsito está cada dia mais cheio de idiotas. Reclamo porque não acho o carregador do celular. Reclamo porque o almoço não ficou gostoso. Calma. Não. Não reclamo sobre isso.

Eu gosto de cozinhar. Gosto de comprar livros de receitas importados e esperar ansiosamente eles serem entregues pela Amazon. Gosto de ficar fuçando receitas online e salvando-as no Pinterest. Gosto de assistir programas de culinária. Gosto de comprar utensílios novos para usar na cozinha. E, acima de tudo, gosto de comer. Mas comer comida gostosa. Comida bem feita. Comida feita com carinho. Comida saudável. Comida bonita. Comida cheirosa.

Era um domingo que prometia ser muito cheio de atividades, como todos os domingos aqui. Mas aquele domingo era especial, porque era o domingo em que almoçaríamos fora – algo raríssimo – para comemorar o aniversário da minha avó.

Chegamos no restaurante. Um daqueles que vivem cheios e que por fora é um daqueles restaurantes que pagam de gatinho, sabe? Daqueles que usam roupa da Abercrombie, malham o abdômen e os braços todo dia. Postam fotos no Instagram com qualquer pose que sirva de desculpa para mostrar a) as roupas novas, b) os braços malhados, c) o tanquinho, d) a língua. Meninos que pagam de gatinho tem trocentos seguidores – ou seguidoras? – nas redes sociais. Restaurantes que pagam de gatinho, também.

São bem localizados. A fachada deles é bonita. A calçada é limpinha. A hostess é simpática e sorridente e logo te arruma uma mesa. Os clientes são bem arrumados. O cardápio é farto.

Aí, você entra, se senta e faz seu pedido. Lê o cardápio e nota que ele foi bem escrito e detalhado. A entrada é uma salada de abobrinha grelhada com molho de redução de aceto balsâmico ou uma salada verde super incrementada. O prato principal é um risoto de tomate, coração de alcachofra e damasco ou um tagliatele integral com molho de queijo e manteiga. A sobremesa é uma taça de morangos flambados com sorvete de creme. Lindo. Delicioso. Cheiroso. Apetitoso. Saudável.

Só que não.

Na sua terceira garfada na salada verde, você descobre que uma lagarta ainda mora ali.

Seu risoto, além de frio, parece que foi feito no dia anterior e não se parece EM NADA com um risoto.

Sua massa com molho de queijo não passa de um macarrão sem graça e sem gosto.

Seus morangos flambados não foram flambados coisa NENHUMA e o sorvete de creme veio parecendo uma sopa.

Você olha para os lados e vê que todas as outras mesas estão comendo com gosto, se deliciando e rindo. Hum. Estranho.

Você paga sua conta (cara), sai do restaurante com fome, com raiva, com nojo e, acima de tudo, com orgulho da sua própria comida. Comida feita com ingredientes bons, frescos, limpos. Comida que tem sabor, que tem cor. Comida que respeita a receita, que promete e cumpre.

Minha conclusão: as pessoas aceitam comer qualquer porcaria (e pagar caro) simplesmente porque elas não sabem cozinhar ou porque passaram a vida inteira comendo porcarias e não sabem mais diferenciar quando um restaurante ridículo na Av. Brás Leme, zona Norte de São Paulo, está lhes servindo refeições de qualidade nula.

Eu reclamo muito às vezes, admito. Mas eu reclamo simplesmente porque não consigo viver recebendo passivamente as coisas, sejam elas refeições mal-feitas ou notícias do jornal ou propagandas machistas na tv. Não dá pra viver sem parâmetros e quando a gente tem parâmetros, temos criticidade.

Não adianta pagar de gatinho (a) se você não cumpre o que promete. Forma e conteúdo precisam andar juntas.


Viu, Dona Carmela?


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bolo vegano de abóbora e sonhos outonais

Eu não sei se sofro de nostalgia causada por ter assistido filmes e séries norte-americanas em excesso na minha infância e adolescência ou se é apenas o velho desagrado que ataca todos os seres humanos – aquela insatisfação perene na alma – de nunca estar cem por cento contente com nada.

Só sei que com a primavera se aproximando, só consigo pensar em como queria estar me preparando para um outono de verdade, daquele no melhor estilo do Hemisfério Norte, separando as blusas de frio, vendo as decorações ficarem cheias de abóboras, escolhendo as receitas para o Thanksgiving, vendo o cardápio do Starbucks ganhar novas bebidas com sabor de Pumpking Pie, ver as folhas das árvores ficarem totalmente amareladas, se reunir em volta de uma fogueira com os amigos e assar S’mores...

É impressionante como uma coisa leva a outra que leva a outra. Um dia desses me peguei ouvindo uma playlist no 8tracks com músicas outonais e, além de conhecer algumas músicas novas e ficar com a playlist no repeat por semanas, fiquei morrendo de vontade de testar uma receita que há tempos vinha namorando em um dos meus livros.



Por acaso, a receita, além de conter abóboras e noz pecã (a minha favorita e que só aparece de vez em quando nas gôndolas do Pão de Açúcar, tornando-se um daqueles artigos: achou, levou, se não você fica realmente sem), também é vegana. Sempre me deparo com receitas veganas em blogs mais naturebas mas, normalmente, todas envolvem alguns ingredientes que eu não tenho em casa e que não são tão fáceis de achar, por isso sempre desisto e faço outra coisa. Isso não se aplica ao bolo que, além de lindo depois de assado, leva ingredientes fáceis de achar.




O único “trabalhinho” que você terá (algo que você estaria livre se morasse nos EUA, por exemplo) é o de assar a abóbora e bater a polpa no processador para fazer o purê. Só isso, juro. O resto é fácil, fácil e o bolo ainda vai deixar sua casa extremamente cheirosa, evocando todos os aromas do outono em plena (quase) primavera.

Bolo vegano de abóbora

Para o purê de abóbora:

1 abóbora do tipo moranga (média)
um fio de oléo

Cortar a abóbora ao meio, sem descascá-la. Retire as sementes (você pode assá-las também, mas fora da polpa).
Coloque as metades viradas para baixo na forma untada com óleo e asse por cerca de 1 hora, ou até a polpa estar macia. 
Retire do forno, espere esfriar e descasque. Em um processador, triture a abóbora até formar um purê bem cremoso e homogêneo. *como a receita só usa 1 xícara, congelei o que sobrou em saquinhos ziploc.*

Para o bolo:

2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de açúcar mascavo (bem cheia)
2 colheres (chá) de fermento em pó
1 colher (café) de sal
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de mix de especiarias (cravo em pó, noz moscada, gengibre)
1 xícara (chá) de purê de abóbora
1/2 xícara (chá) de óleo de canola ou semente de girassol
1/3 xícara (chá) de melado de cana
1/3 xícara (chá) de água
1 xícara (chá) de noz pecã picada
Algumas nozes inteiras para decorar

Unte uma forma de bolo inglês e preaqueça o forno na temperatura baixa.

Em uma tigela, misture todos os ingredientes secos (menos as nozes). Em outra tigela, misture todos os ingredientes molhados.

Adicione os ingredientes secos aos molhados aos poucos, incorporando tudo com uma espátula e bem devagar, para não empelotar (se quiser, pode misturar com a batedeira).

Depois que tudo estiver bem incorporado, junte as nozes picadas.

Despeje a massa do bolo na forma untada e coloque as nozes inteiras por cima, para decorar.

Asse em forno médio/alto por cerca de 50 minutos, ou até o teste do palito dar certo (insira um palito no bolo e veja se ele sai limpinho.)

Retire do forno, deixe esfriando um pouco ainda na forma e após 20 minutos, desenforme-o.

O bolo pode ser servido morno ou frio e fica perfeito com aquela xícara de chá ou café, especialmente em um dia friozinho e cinza e lindo como o de hoje em São Paulo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sobre paixões e Biscotti de Chocolate e Cranberry

Há pouco tempo atrás, me deparei com um quote que um jovem ator (que tem tudo pra ser excelente) disse em uma entrevista. Perguntaram a ele o que tornava uma pessoa atraente. A resposta foi simples e me pegou desprevenida. Normalmente, quando esse tipo de pergunta é feita, a ordem natural das coisas é responder com base em termos físicos, focando na aparência das pessoas (ainda mais se a pergunta foi feita a um garoto de 19 anos). Mas não. Ele apenas respondeu que uma pessoa atraente é uma pessoa que tem paixões. Alguém que é tão entusiasmado com aquela paixão – seja ela qual for – que contamina as pessoas ao redor, alguém que fala animadamente sobre aquilo e tem amor à vida por causa daquela paixão. Para ele, pessoas assim são fáceis de se amar.
Parece simples, mas essa declaração me deixou pensativa por dias. As horas passavam, no trabalho ou em casa, dirigindo, ouvindo música, lendo... e as palavras dele sempre voltavam à minha mente.
E eu? Eu tenho várias paixões, claro. Você também deve ter. Mas a questão é: O que estou fazendo com elas? Deixando que o fardo pesado da rotina as sufoque? Ou quem sabe aquele “amigo” que adora zuar porque minha paixão é “esquisita” e não está mais na moda? Ou quem sabe porque coisas ruins aconteceram no passado e tiraram totalmente o foco daquilo que eu amo?
Pra mim, o equivalente a uma pessoa sem paixões é nada mais, nada menos, do que um zumbi.
Eu não quero ser um zumbi.
O blog ficou parado por tantos meses e admito que a vontade de voltar a postar existia, mas os empecilhos citados acima sempre tiravam o melhor de mim (menos a parte do amigo chato). Sempre. Até hoje. Engraçado como eu precisei me deparar com um ator que ainda não estreou nem no cinema, um total desconhecido, que me levou a pesquisar sobre ele e acabar encontrando “por acaso” essa declaração.
Posso contar um segredo? A parte mais legal de escrever um blog sobre receitas acaba nem sendo as receitas. Mas sim a escrita. Escrever me faz bem, mas saber que alguns amigos sentiram falta do que eu escrevia (amigos que nunca fizeram nenhuma receita, mas falaram: “Carol, entro no seu blog só para ler o que você escreve”), enche demais meu coração de tudo que é lindo e feliz.

A receita do meu comeback foi feita há um bom tempo atrás, quando eu ainda tinha um pote de cranberries secas que foram um achado no Pão de Açúcar. Alguns ingredientes são tão raros de serem encontrados que, quando você coloca os olhos neles, precisa compra-los sem hesitar.

O biscotti é um tipo de biscoito italiano que, assado duas vezes, fica com uma casquinha crocante por fora e com uma textura parecida com bolo por dentro. De-li-ci-o-so.



Biscotti de chocolate e cranberry
(adaptado do excelente Martha Stewart’s cookies)
Rende cerca de uma dúzia

2 xícaras (chá) de farinha de trigo
½ xícara de chocolate em pó de qualidade
1 colher (chá) de fermento em pó
5 colheres (sopa) de margarina ou manteiga
1 xícara (chá) de açúcar
2 ovos
½ xícara (chá) de amêndoas picadas
1 barrinha de chocolate meio-amargo picado
1 xícara (chá) de cranberry seca picada (pode substituir por uva passa, damasco...)

Forre uma forma retangular média com papel manteiga. Preaqueça o forno em temperatura baixa.
Misture em uma tigela os ingredientes secos. Na batedeira, bata a margarina e o açúcar até ficar bem cremoso. Adicione os ovos e misture. Na velocidade baixa, adicione aos poucos os ingredientes secos, até tudo ficar bem homogêneo.

Desligue a batedeira e adicione as amêndoas, o chocolate e as cranberries. Combine tudo com uma espátula.

Transfira a massa para a assadeira e forme, com a espátula, uma espécie de “tronco” de árvore, achatando a parte de cima para não ficar muito alto. Asse até ficar firme, em forno médio/alto, por cerca de 25 minutos. 

Retire do forno (mas não o desligue, só abaixe a chama).

Deixe a massa esfriar por 5 minutos. Transfira o “tronquinho” para uma tábua de corte e fatie a massa (cuidado para não deixar muito fino, se não ela quebrará). Arrume as fatias de volta na assadeira, todas deitadas e retorne a forma ao forno.

Asse por cerca de 8 minutos, até que as bordas estejam mais crocantes e o centro ainda esteja ligeiramente macio. Retire do forno e deixe os biscoitos esfriarem completamente. Os biscotti podem ser guardados em um pote hermético por até 1 semana (mas eu duvido que eles durem tanto assim, rs.)

domingo, 14 de outubro de 2012

Bolo para amigas que moram longe

Dizem que para se gostar não é preciso estar perto. É verdade.

Li há pouco em um outro blog que a Internet é real.

Real porque através de informações enviadas por milhões de fibras óticas e sei lá mais o quê, eu conheci algumas das pessoas mais especiais do mundo.

Eles não são meus amigos da internet.
Eles são meus amigos.
Minhas pessoas.

E quando a vida te presenteia com a chance de conhecer essas pessoas em carne e osso, você agarra essa chance e descobre que, pessoalmente, elas são tão especiais e lindas e insubstituíveis quanto você imaginava que elas seriam.

Há algum tempo tive o prazer imenso de conhecer pessoalmente duas amigas muito queridas, a Maria Luiza e a Aryane. Amigas que, mesmo morando em outra cidade e com rotinas diferentes da minha, parece que estão, na verdade, morando na casa ao lado. Meninas que me incentivam a perseguir meus sonhos, que compartilham tudo de legal e lindo que elas encontram, que enviam cartinhas, postais e presentes queridos pelo correio e que estão sempre prontas a me ajudar com o que quer que seja e ouvir minhas lamúrias sobre as dificuldades dessa vida maluca.

Quem disse que as melhores coisas da vida ainda são de graça estava completamente correto.

Esse bolo é a primeira receita que coloco aqui do lindo e delicioso The great British Bake Off (sim, ele ganhou a votação), e é dedicado à essas duas amigas lindas, apaixonadas por café e que sempre me inspiram a cozinhar mais e a compartilhar tudo aqui no blog.



Bolo de chocolate, espresso e nozes
adaptado do The great British Bake-Off

Para o bolo:
100 g de nozes picadas
75 g de chocolate meio-amargo picado
2 ovos inteiros
4 colheres de sopa de margarina
1 xícara de chá de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de açúcar refinado
1 xícara de chá de café quente
150 gramas de farinha de trigo
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa cheia de fermento em pó


Forre uma assadeira retangular de aproximadamente 25 x 20 cm com papel manteiga untado. Disponha as nozes na assadeira e reserve.

Preaqueça o forno à 180 graus.


Derreti em banho-maria o chocolate, com a margarina, o café e os açúcares.
Depois de derretido, esperei esfriar um pouco e adicionei os dois ovos, mexendo bem para evitar que eles cozinhem. Aos poucos, adicione a farinha e a canela e bata com a batedeira, para evitar que empelote. Por fim, adicione o fermento.

Coloque a mistura na assadeira, arrumando com cuidado para manter as nozes arrumadinhas.

Asse em forno médio/alto por aproximadamente 45 minutos ou até inserir um palito de dente e ele sair sem resíduos de massa.

Deixe o bolo esfriar. Retire da assadeira, remova o papel manteiga e vire o bolo, deixando a parte das nozes para cima.



Para a cobertura:

75 g de chocolate meio-amargo picado
1 colher de sopa de margarina
3 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
2 colheres de sopa de café espresso

Derreta todos os ingredientes em banho-maria ou em uma panelinha (cuidado para não queimar o chocolate!) e espalhe sobre o bolo. Deixe esfriar, corte em pedaços e sirva.

Ary e Malu, o bolo é dedicado a vocês e a todo mundo que assim como eu, tem a sorte de ter amigos tão especiais como vocês duas.





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ajudem uma blogueira indecisa

Sim, sou uma menina indecisa e preciso da ajuda de vocês.

Sabe aquela pessoa que passa em frente uma loja de sapatos e pira demais, entra e compra mais do que devia?

Então.

Essa não sou eu.

Meu problema é outro. E chama-se Amazon.

Não consigo ver um livro de receitas lindo, dar uma folheada virtual, me apaixonar e não jogar no carrinho da bendita livraria.

E assim a coleção de livros tem aumentado lindamente, e me feito uma pessoa muito feliz e indecisa. O tempo pra cozinhar é curto, e quando tenho chance de preparar algo, nunca consigo decidir que receita escolher. Por isso preciso da sua ajuda, leitor fiel que não abandona o blog mesmo quando a própria autora não sabe o que cozinhar.

Qual dos livros abaixo eu escolho pra focar as próximas receitas? O livro escolhido será meu melhor amigo até o final de Outubro e as próximas receitas virão dele.

As opções são:


1) Pretty delicious: tem comidinhas deliciosas e com uma pegada mais saudável
2) My father's daughter: Já fiz algumas receitas e adorei o resultado de todas. Bem cara de família e comida reconfortante
3) The great british bake off: Só coisinhas assadas, uma perdição de bolos, tortas, pães e quiches.
4) Jamie's 30-minute meals: Jamie Oliver dispensa apresentação. 

E aí? Em qual vocês votam?



domingo, 9 de setembro de 2012

Sobre o tempo e o melhor salmão que já preparei

Uau! Mais de um mês sem uma postagem nova. Admito minha vergonha total e devo um pedido de desculpas aos meus leitores. Se é que ainda tenho algum.

Eu havia escrito um texto mega clichê sobre como o tempo está passando rápido, como já é Setembro e daqui a pouco já é Natal, mas deletei tudo.

Deletei pelas seguintes razões:

1) Agosto foi o mês mais longo da existência da Terra, e estou feliz porque ele finalmente acabou.
2) Eu amo o Natal e não me importo que ele chegue logo.
3) Começar a ouvir músicas de Natal em Setembro me torna menos louca do que se eu começasse a ouvi-las em Julho, certo? :)
4) Eu tenho uma alma saudosista, então pra mim não há problemas em relembrar os velhos tempos, os filmes que eu vi na 8ª série e músicas que faziam sucesso em 2005.

Por exemplo, me lembro com muito carinho do domingo em que preparei esse salmão em papillote, com a família reunida e vários elogios pro peixinho (e pra cozinheira também, vai).



Uma das razões pelas quais eu amo a internet é que você consegue se inspirar com o jantar de um youtuber inglês que mora em Brigthon graças a uma foto que ele postou no Instagram.

Assar algo em papillote é muito mais fácil do que parece, e deixa o peixe com um sabor delicioso, úmido e com uma apresentação maravilhosa.

A receita foi totalmente improvisada, por isso as quantidades não são exatas. Vale usar o que cada um mais gosta :)

Comprei um bom filé de salmão, limpo e sem a pele. Lavei ele bem, temperei com um fio de azeite, um pouco de sal e alho amassado.

Em um pedaço médio de papel alumínio (você pode usar papel manteiga, mas acho mais difícil de fechar bem), coloquei algumas rodelas de cenoura precozida, alho poró fatiado, cogumelos paris fatiados ao meio e um pedacinho de manteiga. Por cima dessa "caminha" de vegetais, coloquei o filé de salmão.




Depois coloquei umas folhinhas de manjerona fresca, algumas alcaparras e dei uma regada com azeite.



É só arrumar o peixe bem no centro e fechar a trouxinha, vedando bem para que nenhum líquido vaze.



Agora é só assar em um forno preaquecido por uns 30 minutos e pronto. Aproveitei e servi com batatas assadas com ervas.



Sem dúvida alguma, a melhor maneira que já preparei um peixe. Adorei o resultado, o caldinho, os legumes e o bom é que a casa também não fica com aquele cheiro forte de salmão. Pra comer hoje e ficar relembrando semanas depois.



domingo, 5 de agosto de 2012

Bolo de limão siciliano e uma menina azeda

Tem dias que a gente acorda com o pé esquerdo, não tem?

O céu pode estar azul, os passarinhos podem estar cantando, as pessoas ao seu redor estão felizes, sorridentes e saltitantes, mas algo está errado com você.

Sem alguma razão aparente, as coisas não vão bem. Tudo o que você quer é passar o dia na cama, em silêncio, com a porta do quarto fechada, fingindo que você não existe.

Falar com alguém está fora de questão. Atender o telefone menos ainda. Ouvir música animada, nem pensar.

Você fica dentro da sua "ostra", assistindo uma maratona de Downton Abbey, talvez, e chorando porque a Lady Mary e o Matthew nunca ficam juntos, ou porque o Mr. Bates foi preso injustamente, ou porque o William morreu na guerra...

Olhar no espelho é uma verdadeira tortura chinesa: seu cabelo está horrível, sua olheiras escuras e aquela maldita espinha apareceu bem na sua testa.

Sua inspiração para cozinhar é menor do que as chances do Cazaquistão ganhar uma Copa do Mundo.

Até que em uma segunda-feira - pasmem! - você chega do trabalho com a ideia fixa de preparar um bolo de limão. Nada sofisticado. Nada que leve horas ou que suje mil panelas. Algo simples, azedinho e doce ao mesmo tempo, igual uma menina que eu conheço.



Bolo de limão siciliano
inspirado no lindo The Primrose Bakery Book

Para o bolo:
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 colheres (chá) de fermento em pó
1 1/2 xícara (chá) de açúcar refinado
2 colheres (sopa) de fubá
3 colheres (sopa) de manteiga
2 ovos inteiros
raspas e suco de 1 limão siciliano grande

Para a cobertura:
1 xícara (chá) de açúcar de confeiteiro
Suco de 1 limão siciliano grande

Preaqueça o forno a 180º. Unte uma forma de pão (daquelas compridinhas) com manteiga e farinha.
Em uma tigela, bata com a batedeira a manteiga e o açúcar até ficar cremoso. Adicione os ovos e bata até incorporar. Adicione o suco de limão. Aos poucos, adicione os outros ingredientes secos, até a mistura ficar homogênea. * Eu coloquei 3 colheres (sopa) de iogurte natural, também, para o bolo ficar mais fofinho.
Despeje a mistura na forma e asse por 35-40 minutos, até ficar dourado ou o teste do palito sair sem massa.

Deixe esfriar e desenforme.



Para a cobertura, misture o açúcar e o suco de limão. Com um garfo, faça furinhos no bolo e despeje a cobertura. Deixe endurecer e sirva.

O bolo fica delicioso, é super prático e ótimo para dias corridos e estranhos.



domingo, 1 de julho de 2012

Tarte tatin de beterraba e devaneios franceses

Ah, a França...

Desde que assisti Meia-noite em Paris me arrependi um pouquinho de não ter atravessado o canal da mancha e ter dado um pulo na cidade dos apaixonados...

Um amigo me disse uma vez que estava guardando Paris para uma ocasião especial. Achei bonito isso... ele podia pegar um trem e em menos de 1 hora estaria ali, mas achou melhor esperar, pra deixar a visita ainda mais inesquecível.

Eu viajo vendo filmes e sou completamente apaixonada por trilhas sonoras! Desde que ouvi o Yann Tiersen em O fabuloso destino de Amélie Poulain virei fã do cara! Esse filme é tão, mas tão lindo e delicado que não tem como assistir e não se apaixonar. Ao não ser que você tenha coração de pedra, meu amigo...

Por acaso (graças a uma visita sem compromisso, juro, pela Amazon Uk), descobri que uma mocinha inglesa chama Rachel Khoo escreveu um livro chamado The little Paris kitchen e fez uma série de 6 programas super fofos pela BBC. Foi abrir o youtube, ver o programa e pronto: mais um item pra lista de obsessões! Adorei a ideia do livro, amei o jeito que o programa foi produzido e fiquei com vontade copiar várias receitas, usar batom forte igual ela e passear pelas ruas de Paris comprando delícias.

A receita de hoje ainda não é inspirada nas da Rachel, mas é uma versão salgada da famosa sobremesa tarte tatin, normalmente feita com maçãs e bem famosa no mundo todo.



P.s: a trilha sonora da receita foi a da Amélie. Achei digno :)


Tarte Tatin de beterraba
do lindo e mega bom Veg Everyday
Serve 4 pessoas comilonas

Massa:
300 g de farinha de trigo
uma pitada de sal
100 g de manteiga gelada cortada em cubinhos
3 colheres de sopa de água gelada

Misture a farinha, a manteiga e o sal com a ponta dos dedos, até virar uma farofinha. Adicione a água gelada e sove um pouco, até dar liga. Caso precise de mais água, adicione até dar o ponto. Forme uma bola, enrole em papel filme e guarde na geladeira por meia hora.



Beterrabas:

1 colher de chá de manteiga
1 colher de sopa de azeite de oliva
2 colheres de chá de vinagre
2 colheres de chá de açúcar mascavo
300 - 400 g de beterrabas pequenas (se forem grandes, fatie no meio)
sal à gosto

Derreta a manteiga e o azeite em uma panela, adicione o vinagre e o açúcar, misture para derreter tudo. Adicione o sal e a pimenta.
Em um refratário, adicione esses temperinhos e cubra com as beterrabas. Cubra tudo com papel alumínio e asse em forno preaquecido (alto) por 30 - 40 minutos, até as beterrabas estarem macias.



Vinagrete:

1 cebola pequena picadinha
2 ramos de cebolinha picados
salsinha picada à gosto
1 colher de chá de mostarda
1 colher sopa de vinagre
4 colheres de sopa de azeite
1 pitada de açúcar

Misture os ingredientes em um potinho de vidro, feche a tampa e chacoalhe bem.

Montagem:

Retire a massa da geladeira, abra com o rolo em uma superfície enfarinhada. Retire as beterrabas do forno, descubra o papel alumínio. Desvire as beterrabas (com cuidado), colocando a parte redondinha para baixo, e com a parte mais reta para cima. Cubra com a massa, colocando as bordinhas para dentro.

Devolva ao forno e asse por 20 minutos, ou até que a massa tenha estufado e dourado.

Retire do forno e deixe esfriar um pouco. Desenforme com cuidado e sirva com o vinagrete, que é simplesmente perfeito para quebrar o doce das beterrabas.



A torta fica linda e super gostosa!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pasta com frango à florentina e amor à primeira vista

São incontáveis as referências de amor à primeira vista nas comédias românticas, nas novelas e nos livros bem chick-lit.

Consigo até imaginar a cena: a chuva caindo forte, o galã andando na rua sem guarda-chuva, a mocinha (que acabou de sair de um relacionamento complicado) não sabe bem para onde ir, os dois, por acaso, entram no mesmo elevador, ou no mesmo café/bar/restaurante, os olhares se cruzam, os astros se alinham, o barulho ao redor cessa, e miraculosamente os dois sabem que foram feitos um para o outro.

....

Ah, vai... até EU acho essas cenas e esse tipo de coisa super forçado e mentiroso. Então, para os curiosos de plantão: Não, eu não acredito em amor à primeira vista. E nem em ódio à primeira vista. Pra mim, ambos são formas preguiçosas de classificar os outros. Como já escrevia Jane Austen no século XVIII, as primeiras impressões passam, e o amor, quando verdadeiro, acontece à segunda vista.

Claro que isso não vale para essa pasta na receita de hoje: quando passei os olhos pelas fotos e pela receita originais, soube que fomos feitas uma para a outra. Simples assim!



Penne com frango à florentina
(serve 5)
de um dos meus blogs favoritos

1 pacote de penne grano duro cozido de acordo com as instruções do pacote
2 peitos de frango desossados e picados em cubos
sal e pimenta à gosto
alho amassado à gosto (para o frango)
alho picadinho à gosto (para o molho)
azeite à gosto
1 colher (sopa) de manteiga
1/2 xícara de vinho branco
1/2 xícara de caldo de frango/legumes
2 pacotinhos de tomates cereja
folhas de 1 maço grande de espinafre (lavadas)
queijo parmesão ralado fresco



Frango


Tempere o frango à gosto, com sal, pimenta, alho amassado e azeite. Deixe pegar tempero por cerca de 1 hora, ou mesmo de um dia para o outro.
Esquente bem uma frigideira grandona, coloque uns fios de azeite, a manteiga e adicione o frango (espalhe bem os pedaços, para que todos fiquem em contato com a frigideira). Doure bem de um lado, depois vire e doure do outro. Nada de comer frango cru, hein!

Molho

Retire o frango da frigideira e coloque em um prato. Na mesma frigideira, adicione mais um fiozinho de azeite e doure o alho picado. Adicione o vinho e o caldo e deixe borbulhar por uns 3-4 minutos. Cuidado para o líquido não sumir, porque é ele que vai envolver a pasta.

Enquanto o molho reduz, salpique um pouco de sal nos tomates cereja.

Para finalizar


Adicione os tomates, o espinafre e o frango de volta na frigideira com o molho. Misture. Se sua frigideira for grande o suficiente, pode adicionar a pasta também. Se não, adicione todos os ingredientes do molho na panela onde você cozinhou a pasta.

Misture bem tudo. Se quiser pode adicionar mais uns fios de azeite.

Sirva com o queijo parmesão.




A pasta fica DI-VI-NA e totalmente linda! Um amor à primeira vista que super valeu a pena ;)


P.S: Percebi que estava escrevendo como anônima no blog, rs. Finalmente adicionei uma página me apresentando!



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Crumble de maçã e morango ou a sobremesa favorita da vó

Minha vó é uma daquelas pessoas completamente apaixonadas por coisas salgadas. Muito salgadas.

Atrevidinha para a idade dela... gostas de emoções fortes, de falar alto, de fazer tempestade em copo d'água (igual alguém que eu conheço, rs).

Gosta também de proteger a família, de cuidar, de cozinhar, de ligar mil vezes pra saber onde estamos e se estamos bem.

Não gosta de doces, mas gostou de crumble...



Conhecia a receita há algum tempo, mas nunca tinha pensado em preparar. Um dia, de surpresa, em um almoço na Inglaterra, vi que a sobremesa era algo familiar... olhei bem e reconheci as frutas cobertas com uma farofinha crocante, servidas com creme. Me servi uma vez. E duas. E foi paixão à primeira garfada.

Voltei pro Brasil, revi a vó, matei a saudade da família, fiquei com saudade da Inglaterra, servi crumble em um almoço, depois em outro e depois em outro.

A vó gostou, aprovou e agora pede para ser repetida.

Crumble de maçã e morango
(6 porções)

4 maçãs descascadas e picadas em cubos
1 caixinha de morangos lavados e picados
suco de 1/2 limão
2 colheres (sopa) de açúcar refinado ou mascavo
canela em pó à gosto

Farofa
5 colheres de sopa de manteiga/margarina gelada
1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de aveia em flocos grossos
1/2 xícara de açúcar mascavo
canela em pó à gosto

Misture as frutas com os outros ingredientes e reserve.

Preaqueça o forno na temperatura média.



Junte os ingredientes secos da farofa e misture. Adicione a manteiga, separando-a em cubinhos ou colheradas, e misture usando a ponta dos dedos. Não misture demais, apenas o suficiente para que tudo fique com uma textura de areia molhada, mas ainda com pedacinhos de manteiga.

Unte alguns ramequins com um pouquinho de manteiga, coloque um pouco das frutas e cubra com a farofa.



Asse em forno médio por 20 minutos ou até que a farofa esteja dourada e as frutas borbulhando.

Retire do forno, espere esfriar um pouquinho e sirva com iogurte natural ou sorvete de baunilha.