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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Barrinhas de ceral sem corante de bichinhos e como eu imagino algumas coisas

Na minha cabeça sou a pessoa mais organizada do mundo, daquelas que tem planilhas do Excel sobre os gastos do mês, um calendário devidamente atualizado e sincronizado com todos os dispositivos eletrônicos, um bloco de notas na bolsa que vive cheio de ideias e uma to-do list que sempre fica riscada no final do dia, comprovando que consegui fazer tudo que havia planejado.

Essa é definitivamente a pessoa que eu queria ser. Organizada e preparada para tudo (ou quase tudo).

Como Shakespeare já disse: “a expectativa é a mãe da decepção” e, a cada dia que passa, vejo que minha realidade é bastante diferente do ideal imaginado. Toda vez que vejo minha pilha gigante de livros para ler, minhas pastas de receitas para testar no Pinterest, meditações negligenciadas, as muitas ideias de posts para o blog que nunca saem do bloco de notas, emails e mais emails que envio a mim mesma, com lembretes do tipo "ler isso", "assistir isso hoje" e que quase nunca são abertos, minha gaveta que continua bagunçada e as notas mentais de escrever cartões aos amigos que moram longe ou comer menos coisas industrializadas, sou atormentada pela velha frase do bardo. Sim, caro William, você estava certo.

Os dias em São Paulo simplesmente drenam nossas energias e a cada noite fico pensando que procrastinei mais do que ontem. O “poderia”, “deveria”, “queria” e “teria” saem rapidinho da casa mal-assombrada e, com suas risadas de bruxa malvada, olham para minha cara e zombam de mim com o maior prazer que já sentiram.

Meu medo mais secreto é o de sentir que desperdicei a vida. Que deixei passar aquelas conversas profundas com assuntos que significam o mundo, daquelas que passamos horas e horas dissecando os diversos aspectos de tudo o que mais importa. Que não fiz aquela ligação à tempo. Que não me tornei a pessoa que quis ser. Que o plano era construir um navio firme, mas que eu nunca sequer apareci na primeira aula que ensinava como bater a estaca da base. Que vou perder as coisas pequenas e grandes, daquelas que fazem as pessoas gritarem alto: “Isso fez tudo valer a pena”.

Quem luta com essa estratégia masoquista da rotina (ruim), sempre querendo roubar o nosso melhor, vai se identificar com minhas reflexões de alma. Para amenizar um pouco o sentimento de culpa e de “vida se esvaindo pelos dedos”, resolvi que estava mais do que hora de testar essa receita de barrinhas de cereal.



A louca das barrinhas aqui, daquelas que compram um pacote quase todo dia para beliscar nos intervalos do trabalho, vivia reclamando internamente do excesso de baboseira que as indústrias jogam nos coitados dos cereais. Quer continuar comendo conservantes e corante de bichinhos? Fique à vontade. Quer comer barrinhas caseiras, fáceis, deliciosas e super saudáveis? Continue lendo...


Barrinhas de cereal com banana e manteiga de amendoim
(Inspiradas nesse blog lindo)

Ingredientes:
(rende cerca de 12 barrinhas)

Barrinhas:

3 bananas nanicas bem maduras e descascadas
3 colheres (sopa) de manteiga de amendoim orgânica (comprei a minha no Mundo Verde)
¼ xícara de melado de cana
1-2 colheres (sopa) de Maple Syrup (totalmente opcional, usei porque ganhei um vidro de presente, thanks Natalie)
1 colher (sopa) de óleo de coco extra-virgem e mais um pouquinho para untar a forma (comprei o meu no Mundo Verde)
1 colher (chá) de canela em pó
½ colher (chá) de sal marinho
3 xícaras de aveia em flocos grossos
1 ¼ xícara de nozes e sementes (usei chia, linhaça, amêndoas e avelãs)
½ xícara de frutas secas (usei cranberries e uva-passa)



Cobertura:
½ barra de chocolate amargo (usei um com 70% de cacau)

Preaqueça o forno em temperatura baixa. Forre com papel alumínio ou manteiga uma forma retangular pequena, deixando pontas de papel nas laterais, para facilitar quando você for retirar as barrinhas antes de cortar. 

Unte o papel com o óleo de coco.

No processador de alimentos (ou com um garfo), triture as bananas, manteiga de amendoim, melado, Maple Syrup, óleo de coco, canela e sal. Reserve.

Em uma tigela grande, misture a aveia, nozes, sementes e frutas. Adicione a mistura dos líquidos e misture bem, tudo precisa ficar incorporado.



Despeje a mistura na travessa untada e espalhe até a superfície ficar bem reta e lisa. Use o fundo de um copo ou uma colher para apertar os cereais e deixa-los bem comprimidos.




Asse em forno médio por cerca de 30 minutos ou até a superfície ficar dourada.



Retire do forno e deixe esfriar completamente antes de desenformar.

Desenforme e jogue a cobertura, que é simplesmente chocolate derretido no banho-maria. A cobertura é super à gosto e você pode escolher usar mais ou menos chocolate.

Corte as barrinhas com uma faca grande e sem serras. O tamanho de cada uma também depende de você.

Como aqui está muito calor, guardei as barrinhas na geladeira para a cobertura não derreter. Elas duraram uma semana.



É o lanchinho perfeito e saudável para ter na bolsa e devorar naquelas horas cruciais do dia, em que só algo doce pode salvar. Ah, e quem tiver alguma dica de como se manter organizado e seguir (de verdade) o que planejou, sinta-se à vontade para compartilhar aqui. :)



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sexta-feira aleatória: Minha fama de “reclamona”

Aqui em casa eu tenho fama de reclamona. Reclamo porque está muito calor. Reclamo porque o trânsito está cada dia mais cheio de idiotas. Reclamo porque não acho o carregador do celular. Reclamo porque o almoço não ficou gostoso. Calma. Não. Não reclamo sobre isso.

Eu gosto de cozinhar. Gosto de comprar livros de receitas importados e esperar ansiosamente eles serem entregues pela Amazon. Gosto de ficar fuçando receitas online e salvando-as no Pinterest. Gosto de assistir programas de culinária. Gosto de comprar utensílios novos para usar na cozinha. E, acima de tudo, gosto de comer. Mas comer comida gostosa. Comida bem feita. Comida feita com carinho. Comida saudável. Comida bonita. Comida cheirosa.

Era um domingo que prometia ser muito cheio de atividades, como todos os domingos aqui. Mas aquele domingo era especial, porque era o domingo em que almoçaríamos fora – algo raríssimo – para comemorar o aniversário da minha avó.

Chegamos no restaurante. Um daqueles que vivem cheios e que por fora é um daqueles restaurantes que pagam de gatinho, sabe? Daqueles que usam roupa da Abercrombie, malham o abdômen e os braços todo dia. Postam fotos no Instagram com qualquer pose que sirva de desculpa para mostrar a) as roupas novas, b) os braços malhados, c) o tanquinho, d) a língua. Meninos que pagam de gatinho tem trocentos seguidores – ou seguidoras? – nas redes sociais. Restaurantes que pagam de gatinho, também.

São bem localizados. A fachada deles é bonita. A calçada é limpinha. A hostess é simpática e sorridente e logo te arruma uma mesa. Os clientes são bem arrumados. O cardápio é farto.

Aí, você entra, se senta e faz seu pedido. Lê o cardápio e nota que ele foi bem escrito e detalhado. A entrada é uma salada de abobrinha grelhada com molho de redução de aceto balsâmico ou uma salada verde super incrementada. O prato principal é um risoto de tomate, coração de alcachofra e damasco ou um tagliatele integral com molho de queijo e manteiga. A sobremesa é uma taça de morangos flambados com sorvete de creme. Lindo. Delicioso. Cheiroso. Apetitoso. Saudável.

Só que não.

Na sua terceira garfada na salada verde, você descobre que uma lagarta ainda mora ali.

Seu risoto, além de frio, parece que foi feito no dia anterior e não se parece EM NADA com um risoto.

Sua massa com molho de queijo não passa de um macarrão sem graça e sem gosto.

Seus morangos flambados não foram flambados coisa NENHUMA e o sorvete de creme veio parecendo uma sopa.

Você olha para os lados e vê que todas as outras mesas estão comendo com gosto, se deliciando e rindo. Hum. Estranho.

Você paga sua conta (cara), sai do restaurante com fome, com raiva, com nojo e, acima de tudo, com orgulho da sua própria comida. Comida feita com ingredientes bons, frescos, limpos. Comida que tem sabor, que tem cor. Comida que respeita a receita, que promete e cumpre.

Minha conclusão: as pessoas aceitam comer qualquer porcaria (e pagar caro) simplesmente porque elas não sabem cozinhar ou porque passaram a vida inteira comendo porcarias e não sabem mais diferenciar quando um restaurante ridículo na Av. Brás Leme, zona Norte de São Paulo, está lhes servindo refeições de qualidade nula.

Eu reclamo muito às vezes, admito. Mas eu reclamo simplesmente porque não consigo viver recebendo passivamente as coisas, sejam elas refeições mal-feitas ou notícias do jornal ou propagandas machistas na tv. Não dá pra viver sem parâmetros e quando a gente tem parâmetros, temos criticidade.

Não adianta pagar de gatinho (a) se você não cumpre o que promete. Forma e conteúdo precisam andar juntas.


Viu, Dona Carmela?